[[BIOGRAFIA NÃO-AUTORIZADA]]
Por Pedro Schneider
Existem muitas bandas boas por aí. Bandas de um ou dois sucessos, bandas com várias músicas na rádio, bandas que você até gosta sem comprar CD algum. Agora, o que leva uma banda a revolucionar? Será que alguém acorda um dia, se levanta da cama e diz: “Hoje eu vou formar uma banda para revolucionar o mundo!”? É muito pouco provável. Quem revoluciona muitas vezes nem tem tempo de aproveitar a sua fama pois quando ela vem, já estão mortos e enterrados. Exceção concedida aos Beatles, apesar das mortes de John e George.
Talvez por isso, a palavra “revolução” tenha passado pela minha cabeça após ouvir algumas músicas enviadas para mim pelo guitarrista e vocalista Rodrigo EBA!. De cara, achei aquilo tudo deliciosamente estranho. Onde já se viu misturar viola caipira com roquenrou? Mas é exatamente neste cenário, de dúvidas e desconfianças, que uma revolução nasce. No início eles são sempre estranhos, um pouco confusos e difíceis de entender. Várias vezes já ouvi pessoas dizerem que não gostavam de tal banda e que passaram a gostar tempos depois. É complicado mesmo gostar de coisas que não conhecemos, de idéias totalmente originais. Por outro lado, há aqueles que apreciam o estranho como uma espécie de diferencial de sua personalidade, um trunfo conquistado que pertence apenas a ela e mais ninguém. Depois, quando a banda ganha notoriedade e aparece no Faustão, essas pessoas partem para o lado oposto, criticando e execrando o que antes era sinal de status. O último grande exemplo foi o Los Hermanos.
Não pretendo aqui definir a [[Claustrofonia]], muito menos cabe a mim declamar uma revolução ou dizer o que vai acontecer mas eu acho melhor as pessoas se prepararem para essa banda pois o culto a suas músicas vem aumentando numa progressão silenciosa que jamais vi antes por aqui. É como uma seita, levada adiante por seus seguidores através da propaganda mais eficaz que conhecemos, o popular boca-a-boca. Com um estilo impossível de ser definido, a [[Claustrofonia]] faz shows em lugares totalmente improváveis (o último foi num prédio abandonado) e já há inclusive relatos de rituais sendo realizados durantes as apresentações. Seus fãs e seguidores adotam o mesmo azul escuro que os integrantes vestem no palco e na platéia, é possível distinguir alguns que assumem a personalidade de seus ídolos, imitandos poses e gestos. No escudo da bateria, há um símbolo também pra lá de estranho. Nas apresentações, o público imita o símbolo com as mãos, gerando uma simbiose entre banda e público que beira o desconforto. Há quem acredite que o símbolo significa o nome da banda escrito numa língua africana extinta há milhares de anos. E quanto as músicas, elas também contêm significados diversos. As letras permitem interpretações variadas e prendem o ouvinte pela total conexão entre letra e melodia. Se pudéssemos isolar as músicas dos fatores externos, no fim, a [[Claustrofonia]] seria uma bela banda de canções bonitas e fortes.
Mística, curiosidades, fãs, canções... Os ingredientes estão aí e ainda só não vê quem não quer. Em pouco tempo, será impossível não notar a [[Claustrofonia]].